Acho que a paixão que as pessoas têm por futebol tem raízes mais profundas do que se possa imaginar. Não precisa ser filósofo para perceber o quanto esta prática esportiva reflete completamente as nossas experiências humanas.

Temos sonhos, metas, ideais. Aliás é preciso tê-los, do contrário vegetaríamos cá no planeta, sem nada construir, sem nada aprender, sem nada levar de aproveitável. A vida só se justifica e só tem sentido quando estamos engatados na conquista ou na realização de um objetivo.

Em outras palavras, todos nós, indistintamente, estamos tentanto marcar os nossos gols.
Não importa onde esteja o nosso campo nem onde vemos a nossa trave:
queremos marcar gol no coração do homem que amamos, no coração de nossos filhos, de nossos amigos. Queremos marcar gol na nossa atividade profissional. Queremos marcar gol quando temos que superar uma doença ou qualquer outra circunstância que nos bloqueia ou nos limita. E marcar gol não é nada fácil.

Temos que vencer a equipe adversária, temos que enfrentar barreiras, temos que ter garra, temos que continuar pelejando mesmo quando o cansaço é imenso.
Temos que ser rápidos, hábeis, estrategistas. Temos que cair e levantar depressa.
Temos que estar aptos e continuar jogando numa penosa prorrogação. Temos que enfrentar adversários pouco éticos, árbritros que se enganam, torcida que aplaude e incentiva se temos jeitão de vitória, ou que vaia e desmerece se temos históricos de derrotas. As regras do jogo são iguais para todos.
Os princípios são sempre os mesmos para todos.
Digam-me, isto é ou não é igualzinho à nossa vida?

A princípio, marcar gol pode significar fazer sucesso. Pessoas que marcam muitos gols se distinguem, conquistam respeito e admiração, mantêm a autoestima em níveis saudáveis.
Mas na verdade, para que a experiência do grande jogo da vida seja válida, é preciso também sofrer gols, e tenho cá comigo que aprendemos muito mais nos gols que sofremos do que nos gols que marcamos.
Além disso, após uma longa temporada sem um único troféuzinho, sem uma mísera medalhinha nem em campeonato varzeano, marcar um gol glorioso diante de um oponente respeitável e levar a taça é uma experiência assim ... delirante!

Que os leitores masculinos me perdoem não entender muito de futebol, tampouco do vocabulário futebolístico.
É que para mim, marcar gol é escrever um bom texto, é vencer com amor a rebeldia juvenil dos meus filhos, é receber aquele e-mail carinhoso há tanto tempo esperado, é arrancar uma confissão de amor daquele gato que eu sei que me ama mas está "jogando duro".

E marcar gol para mim, é também merecer o respeito dos meus colegas de ofício, não porque eu esteja jogando muiiiiiiiito! Mas pelo simples fato de que eu estou jogando ... e estou jogando com todas as forças do meu coração (enquanto a vida assim o permitir).

Autoria de Fátima Irene Pinto


::: Sites da Autora :::

Fátima Irene
Fatima Irene em Poresa e Verso

::: Página 29 do livro que leva este título :::

Saiba mais clicando no link abaixo:

Livros de Fátima Irene Pinto



Todos os Direitos Autorais reservados à Fátima Irene Pinto

CrysGráficos&Design